The Man Who Would Be King (Resenha De Um Disco Que Quase Ninguem Resenhou.)

Albion

Eh realmente dificil esquecer o fato de que o primeiro (talvez ultimo) disco do Babyshambles saiu um ano atrasado. Doze meses de espera dolorosa para quem era fa dos Libertines, vendo Pete Doherty decair de heroi mal-entendido pra piada de tabloide britanico. Mas, enfim, eis aqui um disco, refrescador de memorias, fazendo-nos lembrar de que ele eh, na realidade, um cantor de rock.

Down In Albion traz 16 cancoes (se assim as pode chamar) e mais de uma hora de quasi-musica – tudo isso gravado de marco a maio de 2005 e produzido pelo legendario e ex-produtor dos Libertines Mick Jones (ex-Clash, diga-se de passagem).

A boa noticia eh que quase tudo aqui mostra alguma evidencia do jeito unico de cantar (ou murmurar) de Doherty, uma poesia negra, porem bela e todo o charme que Pete adicionava aos Libertines. Ja a ma noticia eh que eh realmente desapontador ouvir faixas que comecam com momentos de brilhantismo e quase sempre terminam num caos ensurdecedor, mesmo que silencioso – como se alguem, de fato, estivesse consumindo consideravelmente algumas drogas pesadas.

Mas, cortando essa perseguicao aa sordida vida do pobre rapaz, comecemos a falar do disco. Pipedown, o rock mais pesado do album (e um dos melhores), parece ser uma cartinha auto-biografica, enderecada a seu companheiro de banda (Patrick Walden – guitarrista): “Oh, The Sun, they make you out to be a tearaway / Scum, oh, I just talked to Matt/Patt, they want the money back / Oh put the pipe down” aludindo aos rumores de ter vendido historias para o tabloide britanico para comprar drogas… enquanto ele mesmo alerta “Patty, put the pipe down”… hehe… um belo exemplo de faca o que eu digo, nao o que eu faco.

Kate Moss aparece nos vocais (isso mesmo) da pantanosa faixa de abertura: La Belle et La Bette – que apresenta Pete pedindo perdao num “conto-mal-contado” – “You turned your back upon her one too many times / Spent all her hard-earned money getting high”. E essa auto-compaixao, auto-flagelacao e auto-referencia perpassa todo o album e “torra o saco”, ja diria minha avoh.

Daih vem Up The Morning – trazendo Mick Jones nos backing vocals. Sem duvida o maior exemplo do disco (junto de Sticks And Stones) de uma cancao potencialmente genial e quase estrangulada por um vocal terrivel e arranjos pela metade. Mas o tiro errado do album estah mesmo em Pentonville. Embaracosa de cruzar os dedoes do peh, eh uma demo mal feita apresentando General Santana – um jamaicano qualquer que doherty conheceu na cadeia – cantando um quase improviso de exaltacao aa prisao que dah nome aa musica, enquanto Pete toca violao pior que Bob Dylan em “Another Side Of”.

Down In Albion vai liberando a mesma frustracao a cada musica: um comeco maravilhoso que, cedo ou tarde, colide com Pete desafinando e murmurando palavras de auto-piedade – uma marca registrada de quase todo junkie desde que o arco-iris era preto e branco. Tanto a banda quanto a producao parecem seguir o mesmo caminho, quando, tudo o que voce quer eh que alguem se disponha a colocar Pete Doherty numa postura correta para que ele comece a cantar direito e pare com esse lamento de “ninguem me ama e eu quero morrer”. Talvez Carl Barat fosse a unica pessoa que conseguia transformar essa urgencia e irresponsabilidade de Pete em musica boa do comeco ao fim; alguem que tinha o poder de por limites em Doherty e faze-lo entender que amadorismo nao significa exatamente pureza de expressao.

Mas, em algum lugar, Down In Albion eh um bela obra-de-arte, somente mal-terminada. A maravilhosa “Albion” (segundo single do disco) eh um viva a uma nacao que, mesmo decaindo, mantem seu charme: quase uma observacao Morrisseyana a respeito de uma Inglaterra jah quase acabada. Killamangiro eh outro momento belissimo: como se fosse um Libertines um pouco mais irresponsavel – se possivel. 32nd Of December tambem tem sua gloria: um riff Kinksiano com um humor invejavel. Por aih vai o disco…otimos momentos e grandes decepcoes, como a propria vida de Doherty.

Depois de tudo isso, resta-me dizer que o disco eh imprestavel. Nao! Calunia! Por algum motivo, toda essa bagunca se dissolve em algo inexplicavelmente genial e cativante. Talvez o nome Babyshambles tenha sido uma sacada bem-humorada de auto-depreciacao. O unico problema eh que essa tal depreciacao tem se transformado no modus operandi de Doherty e, eh uma pena dizer, mas, se o crack e a cadeia nao acabaram com a vida e a carreira dele, esse disco e estilo de vida devem faze-lo.

babyshambles

Publicado em:  on Julho 8, 2006 at 5:50 pm Comentários (1)