“I’m Sitting Here” – My Darling You!

Quando escrevo por aqui, invade-me a vontade de um dia ser pago pra isso. Nao pra escrever, mas pra trabalhar sozinho, no conforto da minha casa, em frente a um laptop ou algo parecido e, antes de tudo, podendo escolher a trilha-sonora. Talvez, a ideia de abrir um cafe satisfizesse essa urgencia. Nao seria em casa, mas com certeza eu teria aquela “salinha do chefe”, com uma mesa, computador e duas cadeiras de costas pra quem ve. Sempre tive a impressao de que, la dentro, reina a felicidade.

Acho que o tempo em que duas mentes trabalhavam melhor ja se foi. Meio coisa de escola isso. Eh tao bom nao depender da competencia alheia. Talvez seja por isso que eu desisti de procurar gente pra montar uma banda (ou porque ainda nao encontrei um guitarrista que nao use pentatonicas). Engajo-me agora na missao de formar minha one-man-band – e aprender como usar um sampler. Como minhas pretensoes musicais nao sao das maiores, eh capaz de dar certo.

Ha um certo charme em conquistar as coisas sozinho.

Publicado em: on Agosto 29, 2006 at 1:31 pm Comentários (2)

“The city… the society in bloom with progress in mind”

Com os avancos tecnologicos eu cresci, sempre atrasado. Sempre me recusei a incorporar as novidades eletronicas logo de cara. Lembro-me, alias, que utilizei o Windows 3.11 ate os idos finais de 97 – quando todos jah esperavam ansiosos pelo tal Windows 98 (com o qual tambem fiquei por uns bons 5 anos). Digitava trabalhos de escola no Write.

O mp3 tambem demorou a fazer parte da minha vida (veja que ate agora nao tenho um iPod, mesmo custando uma mixaria por aqui). Hoje em dia, nao nego: baixo musicas constantemente. Mas continuo comprando discos, o que talvez amenizasse minha sentenca, caso fosse preso por pirataria ou download ilegal.

Aa camera digital ainda nao me rendi… mas sei ser por pouco tempo. Antes de embarcar pro mundo velho, devo abrir mao de minha amiga analogica para o conforto do mundo digital e chips de 2 giga-bytes. O Photoshop, creio eu, deve ser o advento sucessor e quase instantaneo de quem comeca a usar pixels em vez de papel. Nem sei se o nome eh esse ainda; no minino ja inventaram um “ProPhotoTools3000 Revolution X” – mas, no fim das contas, eh tudo PhotoShop.

Telefonia celular: outra que tardou me pegar… Foi em 2004 em que, a meu contragosto, fui forcadamente presenteado com um desses telefones de bolso. Nove meses depois, nao podendo me livrar do maldito, fugi do pais, em crise anti-celular.

Encara-me agora o receio de reservar hoteis e voos antecipadamente pela internet. Quem me garante a precisao desse sistema? “Todo mundo”, dira voce, pessoa antenada. Mas eu sou um sujeito de barba e antena falhas. Ja ate comprei ingressos, CDs e pizza online, mas a perder o voo por acreditar no mundo moderno eu nao quero me arriscar.

Boa sorte, amigos prafrentex! Ficarei com o atraso da agencia de turismo.

“The city… the society in bloom with progress in mind / The city… lotta people doing things they don’t want to do / The airport… lotta people go to places just to leave it behind / The airport… they wanted another life that now’s killing them(?)”    by Loney, Dear

P.S.: “Grifem: panela aberta!”

Publicado em: on Agosto 16, 2006 at 4:48 am Comentários (2)

Bang Bang! You’re Dead!

Tres dias… tres dias sozinho em casa, sem laptop. Como eh bom morar sozinho. Senti-me adulto. Cozinhei, arrumei a casa, dei um jantar para amigos… Descobri que sou bom de cozinha, alem de garfo.

Meu pai sempre me disse que eu sou fresco e metido a besta. Mas, convenhamos, poucas foram as vezes em que fui um insucesso. Esse jantar, por exemplo, so veio reforcar minha habilidade com novas empreitadas. Num inusitado fondue de pimentoes, acompanhado de picanha e batata assada, conquistei minha clientela. Admito que soa meio afetado, mas estava bom pra caralho.

A Sarah disse que prefere essa minha nova fase, porque eu estou mais feliz. Nem sei a que nova fase ela se refere, mas parece algo bom.

Dirty Pretty Things – “Bang Bang, You’re Dead”… Se alguem conseguir baixar a versao que comeca com um riffzinho de trumpete, passe-me por favor! Nunca mais a encontrei e eh, disparada, a melhor delas!

Dias atras, o Rizzi me pedia ideias pra mandar um projeto pro Promic (aliterando, sempre)… sugeri de inscrever o Simao num de MPB ao vivo, sem que ele soubesse… seria otimo! Dai, fosse aprovado, ele teria que tocar, ou iria preso. Wouldn’t it be nice? Simao, ta inscrito!

Publicado em: on Agosto 14, 2006 at 11:21 am Comentários (4)

Louise, she’s all right, she’s just near…

Nao eh a primeira vez que chega a madrugada e nao tem uma alma penada pra me entreter no MSN. Bando de palhacos diurnos… sera que so eu sobrevivi como noctivago absoluto? Sao todos traidores. Duma hora pra outra, todo mundo resolve crescer, trabalhar, pensar em casamento e abandonar a vida noturna. So o Gazzoni continua la, mas, como ele invariavelmente estah online (sempre!), nunca sei se o devo importunar ou correr o risco de “ficar no vacuo”.

Ja fiz de tudo pra passar o tedio… listas, sanduiche, cigarro, cafe, orkut… Se pelo menos os bares nao fechassem as 2:00am, eu me renderia a um drink solitario. O mesmo drink a que o Simao se rendeu na adega, dias atras; ou que o Gazzoni cultiva o habito de diariamente beber; ou o que minha namorada nao bebe.

Por fim, acabo sempre rumando pra escadaria, onde passo horas sentado com o laptop nas coxas. Ontem, ainda me distraih no telefone com um amigo que mora na Escocia. Hoje, pobre de mim, nao dou sorte: todos dormem pesado… menos eu.

Depois de ouvir consecutivamente umas 10 vezes ‘Visions Of Johanna’ nesta a madrugada, estou finalmente ebrio… Nao consigo nem mais distinguir meu dedo do band-aid que o envolve… Passada a primeira estrofe, nada mais faz sentido… ou faz cada vez um sentido novo. Mais umas tres madrugadas dessas, e Johanna vai comecar a aparecer pra mim tambem…

.

“Ain’t it just like the night to play tricks when you’re tryin’ to be so quiet?
We sit here stranded, though we’re all doin’ our best to deny it
And Louise holds a handful of rain, temptin’ you to defy it
Lights flicker from the opposite loft
In this room the heat pipes just cough
The country music station plays soft
But there’s nothing, really nothing to turn off
Just Louise and her lover so entwined
And these visions of Johanna that conquer my mind”

Publicado em: on Agosto 11, 2006 at 7:02 am Comentários (2)

When The Sun Goes Down

“At least they said it changes
When the sun goes down”

Existe algo com essa epoca do ano que me leva de volta aos anos de adolescencia (nao tao longinquos). Mas esse negocio de verao, calor, gente sem camisa, cidade turistica me deixa com uma vontade enorme de fazer algo diferente. No inverno tudo eh mais serio, mais escuro… a gente come mais, fuma mais, trabalha mais, sorri menos e etc. Mas no verao (e aqui o verao eh intenso, mais que aih) essa incontinencia ganha forca e incomoda.

Quando eu era mais moleque, fazia planos a todo momento, e em pouco tempo os estava executando – do jeito que desse, mesmo que o fracasso fosse inevitavel. Hoje, parece-me que sempre transbordo covardia. Sempre existe um motivo pra desistir ou sequer comecar algo.

Na semana passada, um amigo mudou-se aqui pra casa e, com ele, veio uma parafernalha mais que satisfatoria de equipamentos musicais: mesa de som, microfone decente, PA’s potentes, violoes, guitarras, o laptop do qual vos escrevo, e um pouco mais. Nao perdi a oportunidade e, logo, comecei a fucar (adoro essa palavra) nos instrumentos.

Como o Simao recentemente me enviou uma serie de musicas que ele tinha gravado, eu fiquei com inveja e prontamente comecei a gravar as minhas. Gravei uma… duas… mandei pra alguns amigos, tive boa aprovacao… gravei um cover do Dylan… nao gostei do resultado e parei. Nao foi por falta de incentivo, mas pela enesima vez desisti de um projeto (que agora me cobro de reanimar).

Ontem foi um dia tao desgostoso, que me deu vontade de ir pro aeroporto hoje pela manha e pegar o primeiro voo que aparecesse. Isso nao eh aquela crise de menina de 15 anos que diz “as vezes tenho vontade de sumir desse mundo!”. Nao. Eh pelo simples tezao de fazer algo inesperado. Eu realmente o teria feito, nao fosse pelo motivo de ter que segurar o dinheiro que agora tenho e faze-lo crescer para essa tao esperada viagem pro Mundo Velho.

Passei boa parte do meu dia, hoje, fumando na sacada, vendo o tempo mudar de cara a cada 15 minutos. Volta e meia eu retornava pro computador e checava se jah tinha terminado de baixar as musicas que eu queria. Pelo menos consegui baixar todas.

Quando eu tinha 15 anos, dias como esse sempre tinham mais graca. Parece que, a cada dia que passa, a vida fica menos ousada. E minha mae ainda diz que eu to muito “saidinho”. Deixa o verao passar, mae…

Publicado em: on Julho 13, 2006 at 5:13 am Comentários (2)