“At least they said it changes
When the sun goes down”
Existe algo com essa epoca do ano que me leva de volta aos anos de adolescencia (nao tao longinquos). Mas esse negocio de verao, calor, gente sem camisa, cidade turistica me deixa com uma vontade enorme de fazer algo diferente. No inverno tudo eh mais serio, mais escuro… a gente come mais, fuma mais, trabalha mais, sorri menos e etc. Mas no verao (e aqui o verao eh intenso, mais que aih) essa incontinencia ganha forca e incomoda.
Quando eu era mais moleque, fazia planos a todo momento, e em pouco tempo os estava executando – do jeito que desse, mesmo que o fracasso fosse inevitavel. Hoje, parece-me que sempre transbordo covardia. Sempre existe um motivo pra desistir ou sequer comecar algo.
Na semana passada, um amigo mudou-se aqui pra casa e, com ele, veio uma parafernalha mais que satisfatoria de equipamentos musicais: mesa de som, microfone decente, PA’s potentes, violoes, guitarras, o laptop do qual vos escrevo, e um pouco mais. Nao perdi a oportunidade e, logo, comecei a fucar (adoro essa palavra) nos instrumentos.
Como o Simao recentemente me enviou uma serie de musicas que ele tinha gravado, eu fiquei com inveja e prontamente comecei a gravar as minhas. Gravei uma… duas… mandei pra alguns amigos, tive boa aprovacao… gravei um cover do Dylan… nao gostei do resultado e parei. Nao foi por falta de incentivo, mas pela enesima vez desisti de um projeto (que agora me cobro de reanimar).
Ontem foi um dia tao desgostoso, que me deu vontade de ir pro aeroporto hoje pela manha e pegar o primeiro voo que aparecesse. Isso nao eh aquela crise de menina de 15 anos que diz “as vezes tenho vontade de sumir desse mundo!”. Nao. Eh pelo simples tezao de fazer algo inesperado. Eu realmente o teria feito, nao fosse pelo motivo de ter que segurar o dinheiro que agora tenho e faze-lo crescer para essa tao esperada viagem pro Mundo Velho.
Passei boa parte do meu dia, hoje, fumando na sacada, vendo o tempo mudar de cara a cada 15 minutos. Volta e meia eu retornava pro computador e checava se jah tinha terminado de baixar as musicas que eu queria. Pelo menos consegui baixar todas.
Quando eu tinha 15 anos, dias como esse sempre tinham mais graca. Parece que, a cada dia que passa, a vida fica menos ousada. E minha mae ainda diz que eu to muito “saidinho”. Deixa o verao passar, mae…