Invasão

Tenho um certo preconceito com invasões - de qualquer sorte que sejam. Começando pela militar e parando lá na de privacidade. Invadir, traz-me o dicionário, é “entrar hostilmente em; ocupar violentamente”, e isso não me parece belo. Quando se trata de intimidade, então… gente que te trata por apelido logo na primeira conversa.

Andei lendo um texto do Zuenir Ventura, dias aí, em que ele aplaudia a invasão linguística das Letras no veio Jornalístico. Nem essa me agrada. Acho que literatura é de lá e jornal de cá. Existe até um salutar bate-boca sobre a crônica ser gênero dum ou doutro. Não tomo parte.

Desgosto primeiro: escritores metidos a pós-modernosos. Enquanto eles se resumiam ao prédio do CCH (nas Letras Neolatinas), faziam-me mal nenhum. Entretanto, ocorreu um processo gradual de invasão. Jornalista invadindo o campo que não lhe pertence – só pra não perder a pinta de intruso – e se apropriando do pior esquema possível: a pós-modernosidade, se assim a posso chamar. Acho que já até pincelei sobre isso certa vez; desse orgulho burro em se escrever desconexamente, ou provocar nova invasão da poesia na prosa. Retomo: se é o povo das Letras, vá lá.

Desgosto segundo: invasores audio-visuais. É sentar no café pra ler coisa besta qualquer, que o cidadão estica o zoião. Ou estica o ouvido no boteco. Quer ver meu caderno, ler meu livro, comer meu sanduíche, falar com minha mãe no celular e até ouvir meu iPOD.

Hoje, pernilongos invadiram meu quarto pra me atacar duma só vez e daí pra cá não consegui mais dormir. Motivo suficiente pra escrever algo, mesmo que pobre, sobre invasão.

Publicado em: on Março 29, 2007 at 6:58 am Deixe um comentário

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