Kiki é isso?

Não! Não vou discorrer metalinguisticamente sobre o ardor de se escrever sem ter o que falar. Todo bom cronista que conheço tem umazinha, pelo menos, sobre a própria escrita, ou sobre carência de objeto na crônica. Mas, ainda assim, conseguem produzir algo decente, na maioria das vezes. 

“Acho que vou falar com o Rubem Braga.”, disse a Clarice Lispector certa vez. Ela queria descobrir o que era ser cronista, porque vinha escrevendo pro JB e não estava segura da própria competência. Há algum tempo que eu estou para fazer uma dessas. Acho que vou ligar pro Marcelo Coelho. Mas não pra questionar minha produção quase-literária de baixa qualidade, ou discorrer sobre os meandros da crônica: quero descobrir o que é ser jornalista. Ou também não. Quero mesmo é saber até onde se podem chamar certas coisas de jornalismo.

Também não vou me prender à famigerada história de que o jornalismo londrinense anda em baixa. Meu problema é com uma coluna só. Já virou tradição em casa: depois do almoço (pontualmente às 13:00), a gente senta na sacada pra ler o jornal e, no fim, comentamos, pra motivo de riso, a coluna do Militão. Isso mesmo, Oswaldo Militão. Não há livro do Ziraldo, tira do Laerte ou show do Ari Toledo que me consiga produzir mais gargalhadas.

No meu pobre nível de abstração, aquilo tudo é a instância máxima do anti-jornalismo. Preferia que ficasse na seção de artes, até porque hoje em dia tudo é arte – principalmente depois que o Leon jogou dois ovos no teto da sala lendo um poema do Pessoa e tirou 10 no trabalho… ele cursa Artes. Daí poderiam chamá-lo de vanguardista, revolucionário ou qualquer desses indicativos de quem costuma fazer história.

Hoje, porém, foi publicada uma notinha merecedora de citação. Lia-se “Comentário ouvido em um cabeleireiro da cidade: ‘Kiki sumiu, por onde anda Kiki?’”, e tão somente isso. Foi como ir ao Guggenheim em Nova Iorque e passar dez minutos olhando pruma pintura abstrato-minimalista, tentando abstrair um mínimo dela. De volta à nota do O.M., eu não sabia como me comportar. É o cúmulo da não-notícia.

Será que o Marcelo Coelho já leu o Militão? Na dúvida, vou ligar pra professora do Leon, e perguntar se eu posso jogar ovos no teto da minha sacada. Se ela disser que não, é porque sou burro mesmo. Se a resposta for sim, eu tinha razão: o Militão precisa ir pro caderno 2, lá na seção de artes.

Publicado em: on Março 24, 2007 at 3:22 pm Comentários (4)

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4 Comentários Leave a comment.

  1. Militão é bão também.

    Valeu pela correção, Danilo. Evitou-me passar vergonha. Só para ser malvado e compensar, dá uma olhada no seu post “Queijo e sexo no aniversário”. Nem vou dizer onde é, você descobre, hehe.

  2. Hum, então o senhor tem um blog? muito bem. vamos fazer visitas constantes. abração

  3. ehhh, militao me retira boas gargalhadas tbm. Tenho um outro q as vezes manda umas foda tbm no JL, segundo o simao, ele eh ateh bom, mas fazer um cronica por dia deve afetar sua criatividade…

    “na estrada tinha uma onça,
    uma onça na estrada tinha,
    tinha a onça na estrada uma onça,
    uma onça, parda, na estrada,
    da onça, tinha uma parta, na estrada”

    (briguet)

  4. olha o q teu amigo domit anda fazendo


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