Carta Semiótica Com Endereço Certo

Eu nunca fui dos mais criativos no veio da metaforização. Sempre procurei construções mais diretas, passíveis de interpretação instantânea e, ultimamente, até procuro falar devagar para ser de mais fácil entendimento.

Ocorre, porém, nos idos da Semiótica, o que ela mesma traz no nome: um estudo das significações. A gente estuda algo, completamente abstrato – se não lecionado por meio de inxemplus (Xamplus, circa 1985) -, de difícil entendimento, para que nos façamos mais claros e inteligíveis.

Mas aí vem a semiótica aplicada, que soa mais pomposa ainda, e o que parecia discurso de filósofo barato em noite de grande bebedeira começa a fazer um sentido entusiástico. De se lerem nas entrelinhas da direção de arte dum filme (com direito a paleta de cores que remete à tristeza) ou de seu roteiro (de diálogos aliterantes representando sons de guerra) todos já se cansaram, e se perderam em inúmeras interpretações que nem mesmo o criador se lhes incitara.

Até que da água que bate na bunda não nos sobre respingo algum, essas coisas permanecem no nível da estratosfera – lá daqueles que conseguem pensar mais longe -, para nós. É quando nos pegamos engajados na produção de algo que nem nós mesmos nos damos conta da semiótica aplicada.

Qual é o sentido das coisas, afinal? Oras, segundo Peirce, ou Santo Agostinho, John Locke e adjacentes, o sentido que nós mesmos produzimos. Então, quando eu digo Casa, e você entende Casam, o significante proporcionado não provoca o resultado desejado. Veja, porinzemplus (Xamplus, 2004), a falha de comunicação entre duas pessoas que, ainda que situadas no mesmo contexto, perdem-se por mais de 4 vezes na projeção de um só signo: CASA. (http://youtube.com/watch?v=fN4QabZ1yxo).

Quando isso acontece, não ocorre a chamada semiose, que é o desencadeamento de um signo a partir de outro diverso, assim infinitamente. Em miúdos, quando eu falo e você me entende errado, ou mesmo faço algo mal-interpretado, o processo de continuidade do relacionamento (mesmo que só por uma conversa) é interrompido imediatamente, e depende, ou de nova interpretação, ou do retorno ao ponto zero.

Post com destinatário único, então não se culpem nem me joguem pedras.

Publicado em: on Março 21, 2007 at 10:03 pm Deixe um comentário

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