A gente vai, vem, mas no fundo o que quer mesmo é alguém pra nos fazer companhia em nossos próprios prazeres. São poucos que se propõem a tanto – tão a dar ou receber – mas, sempre que o momento acontece, a certeza da satisfação é grandiosa. É quase axioma – Deus me livre de querer compor um, mas é quase.
Sabe aqueles dias em que não se quer sair? São tão raros que, quando acontecem, a hesitação fica de castigo, lá no cantinho da sala. Hoje veio a idéia. Por que não, né? É tanto tempo desprendido na rua, no bar, na vida fora de casa, que só há poucas semanas fui descobrir o verdadeiro prazer de se fazerem as coisas em casa.
Com primeiro argumento de que ninguém há de incomodar – além das razões básicas de segurança, conforto, economia e despreocupação -, já se anda meio caminho (afinal, geralmente, metade da noite ordinária é tomada por “persona non grata” – no plural em latim, de que não sei fazer bom uso).
Foi até um certo cara que me inspirou a idéia. Esses dias, disse-me que ficaria “tranquilo em casa”, e eu, que já fui na casa dele, não via motivo pra minha sair perdendo – ainda mais com minha sacada tão hospitaleira.
Comecei no fim da tarde… pus um Jeff Buckley e um Cabernet Sauvignon. Depois um Dylan, e outro, e mais um… E a noite foi passando como nunca fiz num sábado. Tive um convidado de honra, claro – como é praxe aqui de casa. Não nos víamos já tinha mais de semana, e escolhi com precisão. Veio, conversou, bebeu e comeu comigo. E pareceu achar tudo quase tão bom quanto eu. Mas, lá dentro, o prazer era meu, mesmo.
é! as vezes a própria existência é suficiente.