Esses dias, fui à UEL pro que seria mais um ordinário dia de aula – para a maioria dos alunos, diga-se. Não pra mim. Mesmo depois de dois anos fora da Universidade, pouco me importava rever os professores ou velhos amigos: meu propósito era outro.
Para meu desapontar total, quem fui ver não estava lá, ou, se estava, não vi. A onda do apagão, já antiga neste país, boicotou-me e fez, quase como “noite em meu viver”, escura a universidade, que só não apagou por completo graças aos celulares modernos que a adornavam.
Voltei pra casa desconsolado. Também pouco me importava a razão do maldito breu, só queria a decapitação imediata do responsável. Se ele ao menos soubesse o quanto eu esperei por aquele momento, quanto tempo gastei preparando maneiras presse encontro – e já desenhava na cabeça a cena -, não teria negligenciado a maldita eletricidade que move aquele lugar.
Já no mesmo horário do dia seguinte, fui com a mesma expectativa, e lá estava ela, a Universidade, iluminada pela luz que certamente emanava de quem fui ver.
Tia Alair, a tia da cantina, há 23 anos agracia o campus com sorriso e bom-humor que fazem de seus salgadinhos diminutos enfeites pra mais importante razão de sua presença por lá: fazer de nós pessoas mais felizes.
“Aqui é meu mundo”, sempre diz a Tia, que hoje anda preocupada com rumores de que a querem banir de nós. Contam que um tal de Seo Pingüim tem mais licitação pra isso ou praquilo. Chego até a conspirar que foi ele o pivô do apagão, só pra escurecer a volta retumbante (como é todo ano) da Tia.
Já foi pauta de colegiado, motivo de passeata, e não teve até hoje um desalmado suficiente pra tirar de alguém o direito de fazer feliz. A Tia sobreviveu a todos eles e só ganhou mais adeptos – sem nunca precisar de atendentes novinhas pra cativar seu público hormonado em abundância.
Nós não nos intimidamos com isso, Seo Pinguim. A Tia pertence aqui e daqui só sai pra escovar os dentes e fazer reluzirem mais ainda os corredores, que são dela, e não tem apagão que lhe tire o brilho.
… e você ainda tinha medo de que não gostassem…
como? se ela ficou muito boa!
você tem uma leveza incrível pra escrever!
Quem é o louco que desafia a dona das batatas.
Ahn… as batatas.