Hoje, o Fabrício (aqui de São Paulo) me perguntou se eu nunca tive vontade de cursar direito – pondo em dúvida meu desgosto pela profissão estatado em meu sincero Orkut. Mas quando eu era criança, ficava arquitetando ou dizendo mundo afora o que eu gostaria de ser. Ou era bombeiro, ou piloto de avião - acho.
Agora, quase adulto e com consciencia política (!), eu abriria mão de tudo isso facilmente. Demora meia-hora pra eu sair de casa, depois de todo o preparo prévio. Quando era pivete, saía no instante em que me vinha a idéia de sair.
Piloto de avião, quem diria… eu. Nem essa última viagem melhorou minha indisposição por entrar num avião - num ônibus, que seja. Ainda mais agora com a onda de terrorismo, mais estresse de trabalho, não: tudo converge pra que eu negue meus sonhos de infância.
Amanhã tenho que pegar um ônibus de volta pra Londrina, e não estou nem um pouco com pressa. É até possível que eu mude a passagem pra segunda-feira, mesmo sabendo que a prorrogação não aliviará a pasmaceira da viagem.
Mais ainda, hoje encontrei a Amanda, que não via há muito, e foi jóia. Depois dum convite inesperado, repliquei com a tradicional sugestão de tomar um café… num café. Passeamos e rodamos, perambulando pela paulistânia em seu mais famoso postal – a Paulista – e só achamos botecos happy-hour cheios de vozes altas. Mais uns passos, e avistamos um café prestes a fechar lá no fundo duma galeria. É aqui mesmo.
Nem era dos melhores, mas como eu trocaria o chacoalhar apertado do busão pelo aconchego dum café. Naquelas sete horas de viagem, eu me daria o luxo de cruzar as pernas e comer pãezinhos-de-queijo, fumando e, óbvio, tomando café. Em vez de leito ou primeira classe, deveriam inventar um travelling-cafe.
…
Hoje também me ocorreu a idéia de que poucos são os que ainda aceitam o convite prum café. O fim moderno é beber… que meio, porcaria nenhuma?! Beber exige menos, afinal, então, sai-se com o firme propósito de beber. Daí, café vira coisa de gente careta. Neguinho bebe pra não conversar, porque assunto virou escasso, ultimamente.
Sendo assim, preferi chamar a Amanda pra sair comigo amanhã, de novo. Bem-aventurados os que ainda tem amigos que bebem café fora de casa.