Rolândia & Pé Na Cova

Pé na estrada, meu filho. Coisa pra Kerouac invejar, mesmo.

Dizem que lá em Rolândia não se tem o que fazer, e é vero. Mas confesso que sair às 7:00 da manhã pra tomar um café por lá foi divertido – mais que o Pé-Na-Cova, que tanto jus faz ao nome. Acho que vou me abster desses ambientes anti-diversão por um bocado de tempo. Pena que o Gazzoni vai sempre lá, do contrário eu abriria mão pro resto da vida.

Mas, vá lá, o Chá Das Cinco foi o menos cretino de todos esses botecos que eram só do Seo Jair – alcóolatra desde os 13 – e viraram hype depois de 2005, mas ainda assim não convenceu.

Por isso que lá em Rolândia é bom. O balcão deles só comporta 3 de cada vez, e o Severino só continua indo lá só, porque só ele gosta só da cachaça. Aí é que é bonito: boteco purista. Mas eu não vou, pra não estragar a beleza do local, nem espantar o Severino.

Publicado em:  on Fevereiro 16, 2007 at 3:25 pm Comentários (1)

Café & Piloto de Avião

Hoje, o Fabrício (aqui de São Paulo) me perguntou se eu nunca tive vontade de cursar direito – pondo em dúvida meu desgosto pela profissão estatado em meu sincero Orkut. Mas quando eu era criança, ficava arquitetando ou dizendo mundo afora o que eu gostaria de ser. Ou era bombeiro, ou piloto de avião - acho.

Agora, quase adulto e com consciencia política (!), eu abriria mão de tudo isso facilmente. Demora meia-hora pra eu sair de casa, depois de todo o preparo prévio. Quando era pivete, saía no instante em que me vinha a idéia de sair.

Piloto de avião, quem diria… eu. Nem essa última viagem melhorou minha indisposição por entrar num avião - num ônibus, que seja. Ainda mais agora com a onda de terrorismo, mais estresse de trabalho, não: tudo converge pra que eu negue meus sonhos de infância.

Amanhã tenho que pegar um ônibus de volta pra Londrina, e não estou nem um pouco com pressa. É até possível que eu mude a passagem pra segunda-feira, mesmo sabendo que a prorrogação não aliviará a pasmaceira da viagem.

Mais ainda, hoje encontrei a Amanda, que não via há muito, e foi jóia. Depois dum convite inesperado, repliquei com a tradicional sugestão de tomar um café… num café. Passeamos e rodamos, perambulando pela paulistânia em seu mais famoso postal – a Paulista – e só achamos botecos happy-hour cheios de vozes altas. Mais uns passos, e avistamos um café prestes a fechar lá no fundo duma galeria. É aqui mesmo.

Nem era dos melhores, mas como eu trocaria o chacoalhar apertado do busão pelo aconchego dum café. Naquelas sete horas de viagem, eu me daria o luxo de cruzar as pernas e comer pãezinhos-de-queijo, fumando e, óbvio, tomando café. Em vez de leito ou primeira classe, deveriam inventar um travelling-cafe.

Hoje também me ocorreu a idéia de que poucos são os que ainda aceitam o convite prum café. O fim moderno é beber… que meio, porcaria nenhuma?! Beber exige menos, afinal, então, sai-se com o firme propósito de beber. Daí, café vira coisa de gente careta. Neguinho bebe pra não conversar, porque assunto virou escasso, ultimamente.

Sendo assim, preferi chamar a Amanda pra sair comigo amanhã, de novo. Bem-aventurados os que ainda tem amigos que bebem café fora de casa.

Publicado em:  on Fevereiro 9, 2007 at 11:53 pm Comentários (4)

Queijo & Sexo No Aniversário

Espero que faça bom sexo no seu aniversário. Acho que esse foi o melhor cartão que já vi alguém escrever. Como é difícil encontrar alguém com senso de humor curto e bom assim. É jóia vir pra São Paulo, e tudo mais, só que ainda assim é árdua a tarefa de encontrar um bom humor – até porque parece que mal-humor entrou nos pré-requisitos cool, junto com agnosticismo e ser um pouco “mal de vida”.

Outra boa que eu vi por aí, foi em Tolouse: um marroquino bêbado que perambulava pelas ruas francesas chamando os nativos de bando de queijos! Em francês fica mais legal ainda… era algo como “Ah! Formage français!” – até onde me permite meu francês.

É por isso que eu gosto de ouvir o disco do Scissor Sisters (que vergonha) de manhã e só ponho Visions Of Johanna no repeat à noite. Daí o dia vai bem, com os tecladinhos na cabeça.

Publicado em:  on at 5:43 pm Deixe um comentário

Simão e Vila

Pra mim, o Simão sempre será o Simão; pra mãe dele, sempre será o José Simão; e pra minha madrinha, lá do Rio, o Macaco Simão. Mas, pra mim, o Simão ainda é o Simão: alto, alvo e ponto. Se quiserem se referir a qualquer outro que atenda pela mesma alcunha, que o façam com o nome completo, tipo “o José Simão”.

É questão de costume e intimidade. Como com Vila. Pra Noel Rosa, era a Isabel; pro Irmão Acácio, a Belmiro; pra uns era Villa-Lobos (pra outros, menos eruditos, Dado Villa-Lobos); mas aqui em São Paulo (onde nasceu o Simão) é a Madalena. Pra mim, vila nunca foi com letra maiúscula: era sempre sinônimo de bairro pobre. Aqui, porém, não é. É cool, cult, tradicional, moderno, intelectual, alienado, bicho-grilo. Tem de tudo: barraquinha de dogão na frente do Sacha, revistaria Millor na frente do Fórum (Purpurina com a Jericó).

O Dylan gostava daquela Vila em que fica a Greenie St. Mas eu, no dever de defender nossa NYC do hemisfério sul, prefiro esta Vila, na cidade do Simão.

Publicado em:  on Fevereiro 6, 2007 at 10:44 pm Comentários (3)