We had Prince John Silver and Gold in our cans!

Carissima,

voltando do trabalho hoje, resolvi parar nesse “Patio San Miguel” americano para um cafe. Como o cafe eh “free-refills”, posso ficar a noite toda me embriagando. Julguei-te ser a pessoa mais indicada pra quem escrever, afinal, voce sempre gostou desses romantismos baratos.

Eh, mais uma vez, tempo de partida, e estou ansioso e sentimental de novo. Ja sinto saudades de pessoas que ainda verei e lugares que ainda visitarei; ate por esse maldito clima de 40ºC no outono eu tenho afeto hoje. Eh realmente muito estranho: parece que mesmo de voces aih de longe eu estou me despedindo (outra vez).

Nao fosse a distancia, chamar-te-ia pra mais um cafe daqueles… e voce me ouviria a noite toda, e concordaria com tudo de novo,  de novo e de novo. Eu daria uma de metido e lhe faria inveja – porque sei que voce tambem sonha uma viagem dessas. De repente, voce muda de assunto e versa sobre “como sente falta de paquerar” agora que estah namorando serio. Aih voce muda de assento, assim sem cerimonias.

Eh hilario, aqui tambem tem uma garconete que me corteja, volta e meia. Por ser regular da casa, ela sempre faz questao de me atender… ah! que saudades eu sinto de voce enciumada das garconetes! Hoje, sozinho, ninguem tem ciumes por mim… deve ser mesmo a hora de me render aa garconete. Realmente, eh provavel que seja a hora de partir, e achar uma cidade que precise mais de mim, e eu dela.

Ja lhe disse vezes e vezes que voce eh uma grande menina, nao? So tem um problema: nao saber disso. Talvez, se soubesse, dar-se-ia mais valor. Voce, de todas as pessoas, eh a melhor pra com quem se compartilhar um plano. Sempre positiva e as vezes ate mais empolgada que eu. Tambem era boa pra programas inusitados – do tipo conversar nossa relacao no coreto do calcadao (eu, voce e a carta que me escreveu), ou marcar horario pra se encontrar: 4:00am… aposto que, se pudesse, voce me encontraria as 6:00am em Estocolmo, no banquinho ao lado da entrada do Museu De Arte Moderna, soh prum capuccino. Eu bem queria que voce pudesse.

Eh uma pena que estah amarrada a um peh de maracuja… Acho bom que esta feliz, mas agora fico sem graca de te convidar pruma dessas.

Fica pra proxima!

Danilo (11/23/2006 – 03:25am)

Publicado em:  on Outubro 24, 2006 at 1:05 am Comentários (2)

So come away, we can go to anywhere in Albion!

O prazer e as surpresas de desbravar uma cidade sozinho.

Tres horas de voo tranquilo, com duas poltronas vagas so pra mim… Ja muito alem do que se esperava de um voo barato. E cheguei eu em Boston, pronto pra deflorar as entranhas da cidade e testar o quao boa esta minha destreza de viajante independente.

Depois de uma hora ou duas desfazendo as malas e matando saudades dos tios que aqui me hospedam, deixei-os a sos com minha mae e saih. Saih sozinho, trajando o brio que tenho e levando a unica informacao provida: a estacao de trem fica a uma milha daqui… primeira aa direita, terceira aa esquerda.

Nao foi longa a caminhada. La, esboco o primeiro contato verbal - com a moca do centro de informacoes.

“Tudo bom, minha senhora?”

“Muito bem, obrigada… Em que posso ajudar?”

“Ehm… onde eh que a vida noturna acontece por aqui?”

Mesmo surpresa com a pergunta inusitada, a boa moca me orientou aonde e como ir. Agora ja sei pegar o trem. Comprei o bilhete e fui. Passei os 30 minutos da viagem observando a fauna local – que em muito supera a da Florida no quesito beleza. Gente nova e bem vestida, afetada pelo clima frio, que ja comeca a dar as caras por aqui.

Ja no centro da cidade, os ares sao conivdativos, as pessoas dispostas a prestar informacao, familiarizados com tudo e com todos, mas sempre impondo a impressao urbanoide de “todo mundo eh ninguem”. Rodo daqui prali e paro no primeiro boteco, ao lado duma loja de discos usados (que tocava Dylan naquele momento).

Ainda eh cedo, 7:30pm, e o bar esta meio vaziozao. Desce uma cerveja e logo a bartender puxa o papo… foi a deixa pra que eu me sentisse aa vontade. Ja puxo um guardanapo tiro minha caneta da mochila pra anotar tudo aquilo que ela puder me indicar – e haja guardanapo pra tanta dica! Mais uma cerveja, pra nao dizer que abusei da boa-vontade dela e tchau, vou rodar.

Rodo, rodo e rodo… conheco os bares e quase entro na boate. Ta rolando um show da Regina Spector, mas eu ja assisti ao show dela no ano passado e nao estou num clima muito indie hoje, entao vou pra casa, porque eh hora de programar os proximos dias.

Tomo o trem de volta sem pagar (a tia do roleta disse que nao precisava e fez um “shush! ano fala pra ninguem”). Como ja analisei o povo do trem, presto mais atencao agora na trilha do meu iPOD novo.

Chegando em casa, todos sairam, e trancaram a porta! Realmente, nem so de flores sao feitas as descobertas. Sento na escada e fumo uns 4 cigarros, lendo o jornal que roubei no metro. Ha muito tempo que nao sentia esse prazer de fumar no friozinho. O fato eh que nao tenho a minima ideia de quando eles voltarao, entao vou eh rodar a vizinhanca… muito diferente la de casa. A rua eh escura, e eu ando rapido, fugindo dos enfeites assustadores pro Dia Das Bruxas.

Quando retorno, eles tambem ja voltaram, tinham ido aas compras. Mas eh hora de dormir, porque amanha o dia me guarda mais surpresas.

Publicado em:  on Outubro 7, 2006 at 3:28 am Comentários (1)