Agora deu, nem na madrugada mais se tem paz pra escrever. Ah! O silencio… aonde foi? A paz de se ouvir somente o que se quer. Eh fato que nao se pode esperar muita calmaria duma sexta-feira aa noite, mas hoje o caos resolveu invadir ate mesmo minha, normalmente quieta, sala.
O filme nao eh de mau gosto: Albergue Espanhol. Tem-me ate grande significancia – animou-me a nao desistir de vir pra ca. Lembro de assisti-lo com meu irmao, mes ou dois antes de partir. A realidade tambem nao foge muito da que vivo: gente diferente, de paises diferentes, com linguas distintas, numa terra estranha – todos com quase o mesmo objetivo, mesmo que nenhum de nos ainda o saiba. Dizem que leva o mesmo tempo que se aprendeu para se descobrir o que foi aprendido. O soubesse antes, teria escolhido uma breve excursao pro “Termas Aguativa”/Cornelio Procopio.
Olhando pra tras, nao consigo enxergar o motivo que, de fato, me trouxe pra ca. Mas tambem nao havia motivo pra ficar, disso eu sei. Talvez, entao, o motivo fosse a estabilidade incomoda. Tudo ia muito bem, oras – que ha de se reclamar? Assim como tudo vai bem por aqui. Mas foi (e eh) preciso dar-se conta do momento de partir.
Foram-me necessarios quase dois anos para entender que o progresso nao nos eh outorgado: por ele somos unicos responsaveis, sem brecha para interperies. Talvez nem o progresso, mas a mudanca. Lembro-me de que, ainda no Brasil, disse-me o Andreze que ”se voce ainda acha que a musica que compos ha um ano atras eh o melhor que podia ter feito, eh porque nao progrediu”. Talvez, mesmo a involucao nos seja de melhor uso que parar no tempo.
Poucos sao os que dispoem dum avancado senso de mudanca; de ter o timing perfeito para tomar a decisao e dela fazer bom uso. Mas, da mudanca, pouco eh necessario para se extrair algo util. Pode ser doloroso abrir mao da comodidade, da situacao estavel. Cabendo ou nao o proverbio, Dona Maria Eudes sempre alertou que “o que arde cura; o que aperta segura” e, novamente, foi impecavel. Ah, se todos dessem ouvidos aa voz da experiencia…
Ja sinto falta daqui, de algo que ainda nao deixei, mas ja decidi deixar. Deixo-me, porem, guiar pelos conselhos da vovó, pra sentir a prazerosa dor da mudança.
“Time to leave this town
now your dreams have all let you down,
No one here will miss you now,
Time to wake up and look around.
Turn away and turn a head,
just a hopeless dreamer she said,
Eyes of cloud and feet of lead,
find a shore that needs you instead.
He used to be a lovely boy,
lovely boy, lovely boy.
He used to be a lovely boy.
Time on your hands,
world at your feet,
no adventure left incomplete.
Find a place where you can hide
from the love that holds you inside,
time’s so unkind,
like an old friend leaves you behind. He used to be a lovely boy,
lovely boy, lovely boy.
He used to be a lovely boy.
Time on your hands… ” – by Keane